PARA AONDE VAI O NOSSO “LIXO”?




O lixo que é destinado na vila Santa Maria

Você sabe realmente  para aonde vai seu lixo?
Creio que uma ação positiva para os estudantes em especial e, para os cidadãos de uma forma generalizada é ir visitar um aterro sanitário, mais conhecido como lixão de suas cidades e estimular a reflexão do real impacto que estamos gerando no planeta terra e as consequências nefastas de tudo isso para mim e para você. Não podemos mais ficar alienados sobre o maior problema contemporâneo que é a produção e a destinação do lixo. 
No último dia 14 de março estive com um grupo de voluntários de variadas denominações em Paranaguá-PR na vila Santa Maria- um conhecido e esquecido lixão da cidade que moram em média 300 famílias- numa localidade contaminada que deveria nunca ter sido habitada. A maioria dos moradores vive da reciclagem do lixo e circulam pela área manipulando o material sem nenhum equipamento de proteção. Os animais na maioria cavalos, cachorros e porcos se alimentam dos milhares de dejetos depositados pela sociedade pós-moderna que acredita que, com seu acesso irrestrito ao consumo evoluiu. Esse local denuncia as nossas entranhas; as margens sociais que construímos em nossa zona de conforto. Um soco na alma dos que ainda tem um coração. É sem dúvida um dos maiores problemas sociais do Estado do Paraná.


Terezinha Santos Daniel –Agente  Comunitária do  Rotary Club do  Rocio
“Trabalho há 14 anos na Vila Santa Maria. As dificuldades são todas as que se possam imaginar por aqui. Em especial na área de saúde. Existem programas que atendem essa comunidade, mas muitos pais não mantêm os filhos nesses programas. Os projetos são bons, contudo muitos preferem manter os filhos nas ruas por falta de vontade de colocá-los nos projetos- até mesmo nas escolas sabemos que as crianças faltam demais. Tem crianças de sete, oito anos que estão trabalhando dentro do lixo, e a mãe não tem coragem de levar uma criança dessas nos programas, ou na escola ou, se vai para escola meio período-depois é para o lixão que eles vão.
Falta conscientização. É muito difícil conversar com as mães sobre isso. Convencê-las que elas estão prejudicando o seu próprio filho. Eu vou todos os dias ver se as crianças estão no lixo, e as mães pensam que estou perseguindo ou outra coisa qualquer.Elas entendem minha postura de cobrar delas o cuidado com os filhos como se eu estivesse me metendo na vida delas,e isso prejudica e muito o trabalho de retirada dessas crianças do lixo.” Conta a agente Terezinha

Maristela Aparecida Bueno- Recicladora

“Moro há 15 anos aqui na vila, o serviço de reciclar o lixo é meio pesado. O trabalho dessas pessoas hoje aqui vindo ajudar é muito importante, nós precisamos de melhorias aqui. A nossa vila é esquecida. Temos o problemas das drogas que  é  grave também...” Destaca Maristela


Talita Andrade- Serviço Social-Coordenadora de Projeto da Cruz Vermelha

“Maravilhosa a ação. O local é bem apropriado no qual a cruz vermelha precisa estar mesmo. A nossa missão é atenuar o sofrimento humano em toda a imparcialidade do Estado, então estamos sentindo que aqui a gente está cumprindo nossa missão de verdade.” Diz Talita

Djavan Nadir

“Moro há 18 anos aqui, meu pai e mãe vivem da reciclagem. O bom aqui é que as pessoas sobrevivem da reciclagem, mas o pessoal não tem valor- a sociedade não dá valor para esse povo.”





Dicas de áudio e vídeo para  reflexão:Música da  banda  Midnight Oil- Beds are  burning  ( Camas estão  queimando)

Filmes: Idiocracy( Terra de idiotas) de Mike Judge e Ilha  das Flores de Jorge Furtado


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